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A avó da Rita Barbosa atendeu um telefonema e, em poucos minutos, foi convencida de que a água da casa não era potável.
Comprou quatro filtros por mais de 1000€ cada um… e cada filtro valia menos de 20€.
Quando a Rita percebeu o que se tinha passado, a avó já estava orgulhosa do “produto premium” que tinha em casa.
Ao saber que tinha sido enganada, deixou de confiar no telemóvel. Parou de o carregar. Escondia-o no quarto.
Rita Barbosa é engenheira informática. Estava a fazer um mestrado em Inteligência Artificial aplicada à medicina, na Alemanha, quando decidiu usar essa burla como ponto de partida para um hackathon: 48 horas, mais de 400 participantes, mais de 100 projetos, 48 países, júris da OpenAI, da Google e da Cursor.
Ganhou o primeiro lugar, um prémio superior a 70.000€, e recebeu um telefonema do irmão ainda em palco: “vamos fazer disto uma empresa”.
Nasceu assim o Guardião, uma aplicação que interceta chamadas e mensagens fraudulentas antes de chegarem ao telemóvel da pessoa, sem depender de listas negras de números, e sem enviar um único dado para fora do dispositivo.
Neste episódio, falamos sobre a burla que começou tudo, sobre a decisão de pausar um mestrado em Inteligência Artificial e medicina para construir uma proteção contra burlas, sobre a parceria com a PSP nascida de uma mensagem no LinkedIn, e sobre uma avó que já não está viva para ver no que isto se tornou, mas que continua a ser a razão de tudo.
Esta é a primeira parte de uma conversa em duas partes. A segunda parte, sobre o negócio, a tecnologia e o crescimento do Guardião, chegará no episódio 269.
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